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biomimética: o que é, para que serve?

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Seria possível construir um futuro mais sustentável se inspirando em cactos, saúvas e no sistema respiratório de grilos? Parece surreal, mas foi assim que surgiu o projeto Tomato’s Home, que busca reduzir o desperdício de alimentos. Estes entes da natureza ajudaram a construir recipientes que contribuem para aumentar a durabilidade dos tomates após a colheita. Tudo usando materiais sustentáveis e economizando energia elétrica.

Inspirando-se na natureza para inovar

Podemos aprender muito com a natureza e com tudo o que nos cerca. Soluções inovadoras podem surgir de um olhar mais atento quanto aos organismos vivos e fenômenos naturais. É isso que defende a Biomimética, uma ciência que é apontada pela Forbes como uma das grandes tendências tecnológicas. A previsão é de que soluções que utilizem esta ciência movimente um mercado trilionário até 2030.    

Entendendo a Biomimética

O propósito da Biomimética não é aprender mais sobre a natureza, e sim aprender com ela. Consiste em olhar para um determinado problema e pensar: como a natureza poderia resolver essa questão? Para a bióloga Janine Benyus, uma das porta-vozes mundiais desta ciência, “é desta mudança de pensamento que a humanidade precisa. A Biomimética conecta o mundo natural à nossa 4ª Revolução Industrial, que traz muitas tecnologias como soluções inovadoras”.

O projeto Tomato’s Home foi um dos premiados deste ano no desafio global do Biomimicry Institute, voltado para soluções que resolvam problemas ambientais. Um deles se baseou na forma como as arraias filtram o alimento da água para construir malhas flutuantes que buscam impedir que o lixo plástico despejado nos rios chegue ao mar.

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Outro projeto se inspirou no formato de colmeias e em como os cupins circulam nos cupinzeiros para tornar a produção de arroz mais sustentável. A ideia é permitir um melhor aproveitamento do solo, reduzir emissões de metano e desperdício de água. Vale observar que os cupinzeiros também foram fonte de inspiração para um sistema de ventilação de um shopping center no Zimbábue, reduzindo o consumo de energia com ar condicionado.

O termo biomimética foi cunhado em 1969 por Otto Schmitt, mas o ato de inspirar-se na natureza para inovar é bem anterior a isso. Basta olhar as máquinas voadoras de Leonardo Da Vinci e perceber que os pássaros foram a grande inspiração para estas invenções. Há também o caso de Georges de Mestral, que ao voltar de um passeio com seu cão observou como certas sementes, semelhantes aos carrapichos, grudaram em sua roupa e no pelo do seu cão. Ao colocar as sementes sob um microscópio, observou que em seus filamentos haviam pequenos ganchos que permitiam este tipo de aderência. Com base nesse sistema, criou um produto que permitiu unir dois materiais diferentes e depois separá-los com facilidade. Assim nasceu o Velcro®, amplamente usado na indústria têxtil desde então.

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A sabedoria da natureza

É possível ver que a biomética pode ter duas vias: a observação da natureza como fonte de inspiração, sem ter um problema definido inicialmente, ou a busca por soluções para uma questão já existente. Ambas envolvem um olhar curioso e uma reconexão com natureza. Há também uma postura de humildade em pensar que o ser humano não tem todas as respostas.

Ora, a vida na Terra vem evoluindo há bilhões de anos, solucionando os diversos “problemas” que surgiram até então. Era do Gelo, aquecimento global, colisão de asteróides (que extinguiu os dinossauros); a vida soube se adaptar a todos estes momentos e segue dando suas lições. Não é necessário assistir Animal Planet. Basta ver como os pássaros da cidade, para atrair a fêmea e procriar, cantam cada vez mais cedo para serem ouvidos em meio ao ruído das grandes cidades. A natureza tem muito a nos ensinar.

Pensemos em um fabricante de drones que deseja resolver problema: como tornar o voo deles mais silencioso? O ruído de um drone pode ser inadequado para certas aplicações, ou mesmo um incômodo. Imagine um futuro com vários drones circulando em nossos céus. É zum-zum-zum para todo lado. Será que a natureza não pode ajudar na solução?

Se o problema é o ruído durante o voo, pensar em aves que se deslocam silenciosamente pode ser um caminho. Qual ave se destaca neste aspecto? Bom, há uma em especial que caça à noite, quando o nível de ruído já é baixo, e consegue se aproximar de suas presas sem que elas percebam: a coruja. Para ela, de nada adiantaria ter uma supervisão se a presa a ouvisse aproximando-se e conseguisse fugir. O segredo está em suas penas, que contam com serrilhas nas extremidades que diminuem a turbulência e ajudam no fluxo de ar. Isto ajuda a diminuir o ruído quando a ave assume a posição de ataque. Quando a presa se dá conta, já virou jantar.


A empresa Ziehl-Abegg se inspirou nesta particularidade das corujas para produzir ventiladores mais eficientes. As pás (ou hélices) do produto contam com extremidades serrilhadas que ajudam no fluxo de ar, reduzindo o ruído e economizando energia elétrica. Isto mostra como a biomimética é útil não apenas para soluções sustentáveis, mas de design como um todo.

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Esse artigo foi escrito pelo nosso colaborador, Mauro Rodrigues.